terça-feira, 9 de agosto de 2016

Agropecuária Mundial e Brasileira - Parte 2

OK,vamos continuar...

AS TECNOLOGIAS NA AGRICULTURA

A agricultura tradicional, que podemos chamar de agricultura intensiva( aquela que possui muita mão de obra, técnicas e tecnologias arcaicas ) começou a preocupar analistas em universidades e a mídia em geral: a baixa produtividade dessa tradicional agricultura foi associada á fome e temeu-se que as grandes cidades ficassem prejudicadas por isso, ou seja, que a fome chegasse as grandes cidades de forma mais 'notável'.

Entra em ação então, o magnata do petróleo americano, Nelson Rockefeller, que numa visita ao México, percebeu que o milho que se utilizava era exatamente o mesmo de milhares de anos atrás, ou seja, possuía as mesmas características e pela época em que estavam, era ultrapassado. Rockefeller, então, teve a ideia de melhorar geneticamente alguns produtos para aumentar a produtividade agrícola e sanar o problema da fome no mundo, fazendo surgir a REVOLUÇÃO VERDE.

Sempre me interessei pelo nome Rockefeller, talvez faça uma postagem só pra falar dele.

As ideias de Rockefeller tiveram apoio do governo americano que se relacionou com os países em desenvolvimento para aplicá-las, foram elas:
  • Aumento do uso de técnicas de irrigação, sementes de alta produtividade, da mecanização,de defensivos e de fertilizantes.
  • Investimentos em pesquisas de novas variedades e técnicas de plantio.
Começando no México e se espalhando pela América Latina e Asia, com destaque para as Filipinas, a Revolução Verde de Rock  AUMENTOU consideravelmente a produtividade agrícola e a produção alimentar global...

Entretanto, é bom analisar que quem realmente saiu ganhando MESMO nessa revolução não foram os países em desenvolvimento, mas sim as grandes empresas TRANSNACIONAIS(internacionais) que estavam por trás das pesquisas, melhoramentos genéticos, máquinas, técnicas, etc. Quer nomes ? MONSANTO, lembre-se desse nome apenas.

A dependência da agricultura mundial dessas empresas cresceu muito e hoje temos o que se chama de AGRONEGÓCIO, sem o qual a agricultura não se sustenta mais, composto de INSUMOS, PRODUÇÃO, PROCESSAMENTO E LOGÍSTICA, estando as transnacionais no setor dos INSUMOS.

Nos países subdesenvolvidos, além do AUMENTO DE PRODUÇÃO(quantidade) e PRODUTIVIDADE(capacidade de produzir mais utilizando menos), há também alguns fatores negativos como o aumento da concentração fundiária(agricultores ricos ficaram mais ricos e por isso se expandiram), do êxodo rural(as máquinas dispensaram a mão de obra desqualificada e os médios e pequenos produtores não puderam concorrer com os grandes) e dos problemas urbanos(por culpa do êxodo rural).

AS MONOCULTURAS EXPORTADORAS

A Revolução Verde e a integração da agricultura mundial resultou na utilização de espaços agrícolas para produzir somente alguns tipos de alimento mais rentáveis e de forma massiva para a exportação. Tem-se como exemplo a soja, que se expandiu em todo o mundo, desde o norte do Brasil, Argentina e as áreas dos EUA.
Cana, eucalipto, trigo, arroz, centeio e outros, também foram usados. Repare que as monoculturas de eucalipto, que vemos nas margens das rodovias brasileiras, só foram possíveis graças à Revolução Verde de Rockfeller e todas TRANSNACIONAIS envolvidas.

CONSEQUÊNCIAS DA REVOLUÇÃO VERDE

Além do supracitado, a revolução também trouxe problemas ambientais como o empobrecimento dos solos, poluição de rios e novas pragas mais resistentes. No âmbito econômico é bom lembrar que um país dependente de uma monocultura exportadora é um país mais suscetível a crises, além do êxodo rural(já citado).

Dentre as formas melhorar os cultivares, realizadas pelas grandes empresas de tecnologia agrícola, temos:

  • A seleção genética, onde sementes são escolhidas para determinado tipo de clima e solo de acordo com sua produtividade no mesmo.
  • Melhoramento genético, onde espécies diferentes são cruzadas naturalmente, gerando variedades híbridas(que carregam 2 características desejáveis, por exemplo).
  • Modificação genética, também conhecida como transgenia, um processo mais complicado onde:
  1. Duplica-se o DNA de uma bactéria/qualquer outro ser desejável.
  2. Extrai-se o gene de interesse do DNA bacteriano/do ser desejável.
  3. O gene extraído é inserido no tecido da planta alvo, que se reproduz e passa a diante a característica, hereditariamente. 
A MONSANTO vende e utiliza sementes transgênicas de soja para todo o mundo. Suas sementes são consideravelmente mais resistentes aos seus próprios pesticidas. Resultado: Se você compra as sementes de soja da MONSANTO, também terá de comprar seus pesticidas.

Atualmente os transgênicos já foram considerados SEGUROS para o consumo e sementes modificadas ocupam quase a totalidade de exportações globais, visto que países produtores substituíram a agricultura intensiva de subsistência tradicional pela monocultura exportadora criada pela Revolução Verde.


O Greenpeace se posiciona contra os transgênicos: seus argumentos são extremamente tendenciosos e usam de uma narrativa infantil que coloca medo no leigo sobre o assunto.

Usarei um apelo à autoridade aqui: MAIS DE 100 VENCEDORES DE PRÊMIOS NOBEL, isto é, PESSOAS DE RENOME NA ÁREA E COM PROPRIEDADE PRA FALAR SOBRE O ASSUNTO fizeram uma petição para que o Greenpeace parasse de fazer propaganda contra os transgênicos. Confira mais em: " http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/109-vencedores-do-nobel-pedem-fim-de-campanha-do-greenpeace-contra-transgenicos-19615289 "

Sempre achei o Greenpeace muito bom pra ser verdade. Certamente existem interesses por trás dessas campanhas, visto que os próprios cientistas apontaram pra tal fato e que ' não existe almoço grátis '.

Pra calar de vez a boca desses ativistas, veja esse artigo da Popular Science, MAS LEMBRE-SE: SE APARECER 'TRANSGÊNICOS' NO ENEM, MARQUE A ALTERNATIVA 'GREENPEACEANA'.

Artigo(em inglẽs): http://www.popsci.com/article/science/core-truths-10-common-gmo-claims-debunked

Por hoje é só, na Parte 3 falaremos sobre ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Agropecuária Mundial e Brasileira - Parte 1

O PRIMEIRO POST DO VAULT34

Esta é a primeira postagem deste blog. Falará sobre agropecuária e... você já leu no título. Tudo que você vai ler a partir de agora é fundamentado. No fim do 'post' haverá uma bibliografia bem bacana. Se você gostar do que ler, será interessante dar um 'feedback' para que mais textos como esse voltem a aparecer. Vamos lá!

Por quê logo Geografia ? 
Eu gosto de Geografia humana e econômica. 
Vai cair no ENEM.
Eu estudei isso hoje no cursinho.


O PARADOXO MUNDIAL DA FOME:

Como é possível que o Brasil, país com altas taxas de exportação de commodities(produtos básicos que não passaram pela indústria), tenha entre sua população indivíduos que passam fome e vivem em condições sociais precárias em favelas ? 

Como é possível, com tanta riqueza e abundância que há no mundo, milhões de pessoas passarem fome todos os dias ? 

"A culpa é do capitalismo!" diria um esquerdista.
"A culpa é do estado!" diria um liberal.
E assim se sucedem ideologias culpando outras ideologias 'ad infinitum'.
Na minha opinião, a causa da fome é claramente múltipla, mas a principal é a ... não sei, bem que eu queria saber.

A CRISE MUNDIAL DE 2008 E O BRASIL

A crise mundial de 2008 fez com que o Brasil, em 2009, aumentasse sua exportação de commodities a ponto de superar a de manufatura. Tal fato não ocorria desde 1978, segundo dados da AEB(Associação de Comércio Exterior do Brasil).

" Em tempos de crise, enquanto uns choram, outros vendem os lenços. " 
- Desconhecido

A PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA E A FOME  

A fome pode ser causada por fatores diferentes, como já disse, entre eles temos os naturais e os antrópicos.

Naturais: epidemias, secas, enchentes, desastres de grandes e médias proporções em geral que levem um indivíduo para longe do Estado e da sociedade, ou quem sabe toda uma sociedade.

Antrópicos: guerras, destruição ambiental, má distribuição de renda. 

Quando a fome persiste sobre um lugar por muito tempo, é chamada de fome patológica, pois causa raquitismo e problemas no desenvolvimento do cérebro a níveis irreversíveis. É inevitável lembrar da África aqui.

No século XVIII, a fome incomodou de tal forma que fez surgir a primeira teoria a seu respeito. Tomas Malthus, um economista britânico foi quem formulou o um teoria que ficaria conhecida como Malthusianismo. Em poucas palavras, Malthus calculou que o crescimento populacional era exponencial/geométrico, enquanto a produção de alimentos era linear/algébrica e que isso resultaria em fome em massa. Essa teoria lhe rendeu a fama de pai da demografia e será MUITO MELHOR EXPLICADA em outro post.

A teoria malthusiana obviamente não se concretizou e isso se deu graças a Revolução Industrial. Como dito acima, falarei sobre ela em outro post separado.

Apesar a Revolução, a fome persistiu em todo mundo de certa forma, o que gerou um processo emigratório de europeus para a América e também de chineses.

Mesmo com a chegada da Agricultura Moderna nos EUA, Argentina, Austrália, Nova Z., com máquinas e outras tecnologias, a fome persistiu, obviamente reduzira.

Repare que as duas grandes guerras e a Guerra Fria deslocaram capital suficiente para acabar com a fome no mundo, o que me leva a questionar a bondade do homem ou o quão perto alguém passando fome tem de estar para que me cause comoção.

Para alguns, a modernização do campo trouxe também desigualdade(que já havia nas cidades). Modernizar é algo oneroso e só os possuidores de grandes capitais puderam fazê-la, restando aos pequenos e médios agricultores vender suas terras e ir pra cidade. Para países subdesenvolvidos foi pior: não podiam concorrer com os países centrais e aumentaram a dívida externa para compensar.

Essa é uma análise que ao meu ver culpa os grandes capitalistas por serem grandes capitalistas, como se fossem eles os causadores da pobreza dos outros. É como se houvesse um quantidade limitada de recursos que os países e indivíduos pioneiros 'roubaram' pra si e que estão errados fazendo isso. Eu diria que foram pioneiros e por isso estão no direito de fazerem o que bem entenderem com o que acharam ou tomaram na base da guerra. Se você acha ou descobre algo que vai te trazer vantagem sobre os demais, é sua obrigação dividir com os demais que não tiveram a mesma sorte ou empenho que você? Bom, você decide.

Já está tarde e tenho coisas pra resolver... Na Parte 2 falarei sobre AS TECNOLOGIAS NA AGRICULTURA e outras coisas que ainda não pensei.

A BIBLIOGRAFIA SERÁ PUBLICADA NO 'POST' FINAL SOBRE ESSE TEMA.